Risco de virose de pessoa para pessoa exige cuidados redobrados

Um surto de virose tem causado preocupação nos primeiros dias de 2025, especialmente em algumas regiões do litoral Sul de São Paulo e Santa Catarina. Em vez de se divertirem no período de Festas e férias, muitos turistas estão indo parar no hospital para tratar a infecção viral. O médico clínico geral Giacomo Gallo Neto, do Vera Cruz Hospital, em Campinas (SP), alerta que o cuidado com a higiene deve ser redobrado, uma vez que ainda não se sabe ao certo qual é o vírus em circulação, podendo ocorrer a transmissão de pessoa para pessoa, alastrando o problema. No interior paulista, há a suspeita de que uma mulher morreu em decorrência da virose, após passar a virada do ano no litoral.

“Os principais sintomas são febre, diarreia, náusea, vômitos e falta de apetite, deixando as pessoas contaminadas bastante debilitadas. Ainda não se sabe ao certo se este surto é causado por vírus, bactéria ou parasita, mas pode-se afirmar que este microrganismo acomete o trato gastrointestinal, causando infecções (gastroenterite)”, explica.

Ainda não se sabe ao certo se este surto é causado por vírus, bactéria ou parasita. Foto: Pixabay

A suspeita é de que os problemas estejam sendo desencadeados pelo contato com a água ou alimentos contaminados. Por isso, autoridades das cidades litorâneas encaminharam amostras para análise do Instituto Adolfo Lutz, no intuito de identificar qual seria o tipo de vírus em circulação e assim tomar decisões assertivas para sua eliminação.

Proteção

Para se proteger e evitar ser acometido pela virose, Gallo dá algumas orientações. “Ingerir água potável ou fervida, evitar alimentos crus ou mal cozidos, higienizar sempre as mãos, principalmente ao manipular alimentos e não compartilhar utensílios domésticos com pessoas contaminadas”. Também é preciso tomar cuidado com superfícies contaminadas e partículas de vômito ou fezes que podem se dispersar pelo ar, contribuindo para a transmissão. Ao fazer refeições fora de casa, prefira itens descartáveis. Outro cuidado é evitar aglomerações, que favorecem a proliferação de microrganismos.

Também é preciso tomar cuidado com superfícies contaminadas e partículas de vômito ou fezes que podem se dispersar pelo ar. Foto: Pixabay

Duração

De acordo com o médico, os sintomas podem variar de dois a três dias em pessoas saudáveis, mas este período pode ser maior em pessoas com comorbidades. “Crianças menores de cinco anos, idosos e imunossuprimidos – condição em que o sistema imunológico apresenta enfraquecimento, seja por doenças, uso de medicamentos ou procedimentos médicos – são mais suscetíveis à virose, necessitando de ainda mais atenção”, explica.

Ajuda médica

Em situações nas quais as pessoas apresentam sintomas leves, a recomendação é reforçar a hidratação com água ou soros, além de alimentação leve; e usar apenas antieméticos e analgésicos prescritos por seu médico anteriormente, para alívio dos sintomas. O atendimento médico deve ser procurado nos casos em que os sintomas persistam por mais de cinco dias, em que haja a dificuldade de hidratação via oral (a pessoa ingere o líquido e em seguida ocorrem episódios de vômito ou diarreia intensa) ou casos em que mesmo com uma boa hidratação os sintomas piorem.

O atendimento médico deve ser procurado nos casos em que os sintomas persistam por mais de cinco dias. Foto: Pexels

Com o período de férias, o movimento intenso nas regiões de praia deve continuar. Desta forma, para minimizar os riscos, a orientação é levar água de boa qualidade, não ingerir alimentos de procedência duvidosa (preparados sem condições mínimas de higiene) e manter na bagagem medicamentos de primeiros socorros para casos de enjoo, febre, vômito e diarreia, prescritos por seu médico habitual. Lembrando de evitar a automedicação que pode levar a uma piora do quadro clínico.