Um dos mais tradicionais encontros do cinema nacional movimenta a Serra Gaúcha entre os dias 12 e 22 de agosto, reunindo produções inéditas, grandes nomes das telas, homenagens e a disputa pelo cobiçado Kikito.
Gramado volta a se transformar na capital brasileira do cinema. A cidade da Serra Gaúcha recebe, até o próximo dia 22, a 54ª edição do Festival de Cinema de Gramado, evento que há mais de cinco décadas ocupa posição de destaque no calendário cultural brasileiro e acompanha diferentes momentos da história do audiovisual nacional.
A programação começou no dia 12 de agosto com atividades paralelas, mostras estudantis e ações de acessibilidade, enquanto a abertura oficial acontece nesta sexta-feira, 14 de agosto, na tradicional Rua Coberta. Logo depois, o tapete vermelho volta a reunir artistas, diretores, produtores e convidados diante do Palácio dos Festivais.
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O filme escolhido para abrir oficialmente esta edição é “Antártida”, dirigido por Bruno Safadi e estrelado por Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal e Andrea Beltrão. A produção será apresentada em sessão hors-concours no Palácio dos Festivais e chama atenção também pelo processo de realização: o longa utilizou tecnologia de produção virtual para recriar em estúdio as paisagens do continente gelado.
Ao todo, a programação da edição reúne 74 filmes, entre produções competitivas e exibições especiais. Desses, 44 títulos participam das diferentes disputas do festival, reforçando a diversidade de gêneros, linguagens e regiões representadas em Gramado.
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Na principal mostra competitiva de longas-metragens brasileiros, seis produções concorrem ao Kikito: “Chorão: Só os Loucos Sabem”, de Hugo Prata e Felipe Novaes; “Feito Pipa”, de Allan Deberton; “Justino – Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte; “Leite em Pó”, de Carlos Segundo; “Nosso Segredo”, de Grace Passô; e “Pele de Rinoceronte”, de Marcello Ludwig Maia.
A seleção revela justamente uma das características que fizeram de Gramado uma vitrine tão importante para o audiovisual brasileiro: a convivência entre diferentes propostas cinematográficas. Biografias, dramas, questões sociais, histórias familiares e personagens inspirados em acontecimentos reais aparecem entre os trabalhos apresentados ao público e ao júri.
Além dos longas brasileiros, o festival mantém espaço para documentários, produções gaúchas, curtas-metragens e sessões especiais. A programação inclui ainda debates com realizadores, encontros profissionais e iniciativas voltadas à formação de novos talentos.

Outro destaque são as homenagens a personalidades que ajudaram a construir a história do audiovisual. Andrea Beltrão será reconhecida com o Troféu Oscarito, uma das mais importantes distinções concedidas pelo festival. Selton Mello e Maria Fernanda Cândido estão entre os nomes que recebem o Kikito de Cristal, destinado a personalidades de destaque do cinema latino-americano.
O ator e dramaturgo Marcos Caruso será homenageado com o Troféu Cidade de Gramado, enquanto a produtora Renata Almeida Magalhães, nome de grande importância para a preservação e produção cinematográfica brasileira, receberá o Troféu Eduardo Abelin.

Mas o Festival de Gramado vai muito além do glamour de seu tapete vermelho. Desde sua primeira edição, realizada em 1973, o evento tornou-se um espaço fundamental para lançamentos, discussões sobre os rumos da produção nacional e reconhecimento de profissionais que trabalham diante e atrás das câmeras.
Foi também em Gramado que filmes, atores e cineastas que posteriormente ocupariam lugares importantes na história do cinema brasileiro receberam reconhecimento. Ao longo dessa trajetória, mais de mil Kikitos já foram entregues.
O próprio troféu tornou-se um símbolo. O Kikito, criado pela artista plástica Elisabeth Rosenfeld, ultrapassou as fronteiras do festival e hoje é imediatamente associado à excelência e ao reconhecimento no cinema brasileiro.
A 54ª edição também amplia seu olhar para a inclusão. Filmes das mostras competitivas contam com recursos de audiodescrição, Libras e legendas descritivas, além da realização de uma mostra dedicada ao cinema acessível.

Paralelamente às exibições, Gramado se transforma em um grande ponto de encontro da indústria audiovisual. Produtores, distribuidores, diretores, atores e profissionais de diferentes áreas aproveitam os dias de festival para apresentar projetos, estabelecer parcerias e discutir os novos caminhos do setor.
Há ainda um impacto que ultrapassa o cinema. Durante o festival, hotéis, restaurantes, comércio e serviços recebem o movimento provocado pela chegada de profissionais, imprensa, convidados e turistas. A combinação entre cultura e turismo ajudou a projetar internacionalmente o nome de Gramado e consolidou o evento como uma das principais vitrines da cidade.
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A cerimônia de premiação das mostras de longas-metragens brasileiros e documentários está marcada para 22 de agosto, encerrando oficialmente esta edição e revelando os novos vencedores do Kikito.
Mais de meio século depois de sua criação, o Festival de Cinema de Gramado chega à 54ª edição preservando sua essência e, ao mesmo tempo, acompanhando as transformações da indústria. Entre estreias, homenagens, encontros e novos talentos, a Serra Gaúcha volta a colocar o cinema brasileiro sob os holofotes — e o Kikito, mais uma vez, torna-se o objeto de desejo de quem atravessa o tapete vermelho do Palácio dos Festivais. Fotos: Lali Moss e Lu Prezia





