Criado em 1896 para proteger a autenticidade dos baús da maison, o encontro entre as iniciais LV e motivos florais atravessou gerações, conquistou a moda e se transformou em um dos símbolos mais reconhecidos do luxo mundial.
Poucos desenhos alcançaram a capacidade de identificação do monograma Louis Vuitton. Basta observar a combinação das iniciais LV com flores e formas geométricas sobre a tradicional superfície marrom para reconhecer imediatamente a maison francesa. Em 2026, essa assinatura visual completa 130 anos como um exemplo de permanência em uma indústria movida por mudanças constantes.

A história do monograma começa antes de sua criação. Louis Vuitton fundou sua maison em Paris, em 1854, depois de trabalhar como artesão especializado na fabricação de embalagens e baús de viagem. Naquele período, as transformações nos transportes ampliavam a circulação de pessoas pela Europa. Trens e navios exigiam bagagens mais funcionais, resistentes e fáceis de acomodar.
Vuitton percebeu essa mudança e substituiu os tradicionais baús de tampo arredondado por modelos de superfície plana, que podiam ser empilhados. A inovação contribuiu para que seu trabalho conquistasse viajantes de grande poder aquisitivo e transformou a oficina instalada em Asnières, nos arredores de Paris, em referência na produção de artigos de viagem.
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O sucesso, entretanto, provocou o aparecimento de inúmeras imitações. A maison já havia criado a estampa quadriculada Damier, lançada em 1888, como forma de diferenciar seus produtos. Com a reprodução do padrão por concorrentes, tornou-se necessário desenvolver uma identidade ainda mais particular.
Em 1896, quatro anos após a morte do fundador, Georges Vuitton criou um novo desenho para homenagear o pai e dificultar as falsificações. Entrelaçou as iniciais LV e acrescentou motivos florais e geométricos influenciados pelo japonismo, pela ornamentação Art Nouveau e pela arte heráldica neogótica.
Nascia a tela inicialmente conhecida como L.V. Canvas e que, décadas mais tarde, receberia oficialmente o nome de Monogram Canvas. Aplicado primeiramente aos baús, o padrão estabeleceu uma espécie de assinatura permanente da maison. Mais do que decoração, funcionava como declaração de autoria em uma época na qual a identidade visual das marcas ainda não possuía a importância atual.

O monograma acompanhou a mudança dos hábitos de viagem ao longo do século XX. Saiu dos grandes baús destinados às travessias marítimas e chegou às malas mais leves, bolsas, carteiras e pequenos acessórios. Ao conservar seus elementos fundamentais em diferentes formatos, estabeleceu uma continuidade entre a origem artesanal da Louis Vuitton e sua expansão como uma das maiores casas de luxo do mundo.
Modelos como Keepall, Noé, Speedy, Alma e, mais recentemente, Neverfull ajudaram a levar o desenho às ruas. A Speedy, criada nos anos 1930 como uma versão compacta das bolsas de viagem, ganhou especial projeção ao ser usada por Audrey Hepburn. A Noé, por sua vez, nasceu para transportar garrafas de champanhe e acabou incorporada ao cotidiano como bolsa feminina.
Parte da longevidade do monograma pode ser explicada por sua capacidade de permanecer reconhecível mesmo quando submetido a interpretações ousadas. Em vez de preservar o símbolo como um elemento intocável, a Louis Vuitton permitiu que artistas e criadores o transformassem, sem destruir sua identidade.

No início dos anos 2000, sob a direção artística de Marc Jacobs, o artista norte-americano Stephen Sprouse cobriu o tradicional canvas com inscrições que lembravam grafites. Pouco depois, o japonês Takashi Murakami apresentou o Monogram Multicolore, substituindo a combinação clássica por iniciais e flores em uma ampla paleta de cores sobre fundos claros ou escuros.
A colaboração com Murakami tornou-se um fenômeno cultural, aproximou a maison de uma nova geração e marcou a estética dos anos 2000. O desenho também foi reinterpretado em projetos com Richard Prince, Yayoi Kusama e outros artistas, demonstrando como uma identidade criada no século XIX poderia participar dos debates da arte e da cultura contemporâneas.
O monograma igualmente atravessou fronteiras de gênero. Antes associado principalmente aos baús e às bolsas femininas, passou a ocupar coleções masculinas, tênis, roupas, joias, relógios e objetos. Sob diferentes direções criativas, apareceu ampliado, fragmentado, camuflado, perfurado, bordado e trabalhado em novos materiais.

Para celebrar os 130 anos, a Louis Vuitton retomou diferentes capítulos dessa história por meio de coleções especiais. A Monogram Origine recupera referências do padrão de 1896 e as apresenta em novas combinações de cores. A linha VVN destaca o couro natural tradicionalmente utilizado pela maison, enquanto a Time Trunk revisita visualmente os históricos baús de viagem por meio de efeitos que reproduzem ferragens, cantos e fechaduras.
A comemoração também inclui novas versões de modelos emblemáticos e o retorno do universo multicolorido de Takashi Murakami. Ao reunir arquivo e experimentação, a maison reforça uma estratégia decisiva para sua permanência: reconhecer o próprio passado sem permanecer aprisionada a ele.

Em uma época na qual imagens circulam rapidamente e marcas disputam atenção em diferentes plataformas, a história do monograma revela a força de uma identidade visual coerente. Seu valor não depende somente das iniciais que carrega, mas de tudo o que foi construído ao redor delas: artesanato, inovação, viagens, desejo, colaborações artísticas e memória cultural.
O desenho criado por Georges Vuitton para combater imitações acabou se tornando um dos símbolos mais imitados do planeta. A aparente contradição ajuda a dimensionar sua influência. Depois de 130 anos, o monograma continua cumprindo sua função original: permitir que uma criação Louis Vuitton seja reconhecida antes mesmo que o nome da maison precise ser anunciado.

… Bom dia! “Acredite, existem pessoas que não procuram beleza, mas sim coração”.
… Abraço aos aniversariantes de hoje: Marise Anzoategui, Gideão Dias, Izabel Magalhães, Dayane Vicente Santana, Fabio Pinheiro, Jozimar Rocha, Carlos Henrique Medeiros, Lindamar Rodrigues, Geraldo Antonio Goldrin Junior, Emily Mendoza Lagbunan e Flavia Eliezer da Silva. Happy birthday!





