Colecionar deixou de ser acumular objetos caros. Hoje, virou repertório. O colecionismo chic é aquele que revela olhar, tempo e intenção — e, justamente por isso, rende conversa boa. Mais do que quanto custa, importa por que está ali.
No vinho, o charme está na escolha consciente. Adegas elegantes costumam misturar clássicos de Bordeaux (como Pauillac e Margaux), Borgonha para quem aprecia Pinot Noir, Barolo no Piemonte e Champagnes de vignerons, menos óbvios e mais autorais. Guardar uma safra específica ou abrir um rótulo trazido de viagem transforma um jantar comum em memória.

Na arte, muitas coleções começam de forma simples: fotografia autoral, gravuras e obras de artistas emergentes. Com o tempo, entram nomes que viram referência e assunto imediato, como Vik Muniz, Beatriz Milhazes ou Adriana Varejão. Arte bem escolhida não decora — ela comunica. E a casa passa a contar histórias pelas paredes.
Os livros raros também ganharam protagonismo nesse universo. Primeiras edições, exemplares autografados, coleções completas e livros de arte, moda, arquitetura e fotografia em edições especiais viraram objetos de desejo. Editoras como Taschen aparecem com frequência em acervos sofisticados, assim como catálogos históricos de exposições e volumes esgotados que carregam tempo e memória.

No design internacional, o colecionismo aparece em peças pontuais que mudam a atmosfera do ambiente: cadeiras e móveis da Vitra, luminárias da Flos ou Artemide, cristais da Baccarat e porcelanas clássicas. Não é quantidade — é escolha.
O vintage completa esse cenário com charme extra. Relógios antigos, bolsas clássicas, joias de época, mobiliário assinado, câmeras fotográficas e cartazes históricos têm algo em comum: presença. Uma peça vintage sempre carrega um “de onde veio” — e isso transforma qualquer objeto em assunto imediato.

No fim, o colecionismo chic não é ostentação. É curadoria pessoal. É quando o acervo reflete quem você é, o que viveu e o que escolheu guardar. E, em tempos de excesso, poucas coisas são tão elegantes quanto ter boas histórias — e objetos que ajudam a contá-las.




