Estudos da OMS e consensos científicos destacam a associação entre doenças bucais e condições crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, reforçando a importância da prevenção e do cuidado integrado. Foto: Pexels

A saúde bucal desempenha um papel fundamental no bem-estar geral do organismo. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que quase 3,7 bilhões de pessoas no mundo convivem com doenças orais, sendo que mais de 1 bilhão enfrentam quadros de periodontite grave. A inflamação crônica nos tecidos de suporte dos dentes pode permitir a entrada de bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea, afetando o funcionamento sistêmico.

Conforme explica a Dra. Fernanda Cardoso, cirurgiã-dentista e gerente do CEO II Vera Cruz unidade da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP) gerenciada pelo CEJAM, a boca precisa ser vista como parte integrada do corpo. Uma das conexões mais documentadas ocorre entre a doença periodontal e o diabetes: dados da Federação Internacional de Diabetes (IDF) e da Sociedade Brasileira de Periodontologia (SOBRAPE) apontam que pessoas com diabetes descompensado têm risco de duas a três vezes maior de desenvolver inflamações gengivais severas. Por outro lado, a infecção gengival eleva a resistência à insulina, enquanto o tratamento adequado pode reduzir a hemoglobina glicada (HbA1c) em cerca de 0,40%.

A inflamação crônica nos tecidos de suporte dos dentes pode permitir a entrada de bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea, afetando o funcionamento sistêmico. Foto: Magnific

Mecanismos Cardiovasculares e Sinais de Alerta

No sistema cardiovascular, bactérias da gengiva inflamada e do biofilme dental podem atingir a corrente sanguínea e elevar marcadores como a Proteína C-Reativa (PCR), favorecendo a disfunção endotelial e o processo de aterosclerose. O controle de infecções orais é reconhecido pelo Ministério da Saúde como aliado no combate a fatores de risco cardiovasculares. Além disso, problemas bucais não tratados comprometem a mastigação e limitam o consumo de alimentos nutritivos, podendo resultar em deficiências nutricionais e isolamento social.

No sistema cardiovascular, bactérias da gengiva inflamada e do biofilme dental podem atingir a corrente sanguínea e elevar marcadores como a Proteína C-Reativa (PCR). Foto: Magnific

Sintomas como sangramento ao escovar os dentes, gengivas avermelhadas, mobilidade dentária e dor ao mastigar exigem avaliação profissional. A Dra. Fernanda ressalta que o sangramento é o primeiro sinal de inflamação e que a periodontite progride de forma silenciosa nas fases iniciais. A prevenção envolve escovação diária, uso de fio dental, alimentação equilibrada e acompanhamento odontológico regular, com destaque para a atuação integrada das equipes de saúde bucal na Atenção Primária do SUS.