Pets e o frio: entenda as mudanças de sono e apetite

Com a chegada das baixas temperaturas, as mudanças de hábitos não se restringem aos humanos. Enquanto os cobertores saem dos armários e os passeios se tornam mais curtos, cães e gatos também reorganizam seus comportamentos. Alguns cães demonstram maior disposição para caminhar em horários mais amenos, enquanto outros preferem ficar recolhidos. Já os felinos tendem a buscar locais mais aquecidos, reduzindo a movimentação e passando mais tempo em repouso.

Essas reações variam conforme o metabolismo, a rotina e o nível de atividade de cada animal. Uma das principais dúvidas dos tutores surge justamente na hora das refeições, já que o apetite dos pets pode aumentar ou diminuir durante o período frio.

Essas reações variam conforme o metabolismo, a rotina e o nível de atividade de cada animal. Foto: Pexels

O processo de termorregulação

Essa oscilação tem explicação científica. O organismo dos animais trabalha de forma mais intensa no inverno para manter a temperatura corporal estável, um processo chamado de termorregulação. Em pets mais ativos, que vivem em áreas externas ou ficam muito expostos ao frio, esse esforço pode elevar discretamente o gasto energético. Por outro lado, os animais que passam a maior parte do tempo em ambientes internos e aquecidos reduzem o ritmo físico, o que diminui a necessidade calórica.

Bruna Isabel Tanabe, médica veterinária e gerente de produtos da Pet Nutrition, esclarece que o inverno exige uma análise individualizada de cada caso.

Em pets mais ativos, que vivem em áreas externas ou ficam muito expostos ao frio, esse esforço pode elevar discretamente o gasto energético. Foto: Magnific

“A queda de temperatura influencia metabolismo, disposição e padrão de repouso, mas cada animal responde de uma forma. Antes de fazer qualquer ajuste na alimentação, o responsável precisa observar se houve mudança real no nível de atividade, na condição corporal e no comportamento geral do pet”, explica a especialista.

Adaptação da rotina alimentar e uso de petiscos

A recomendação é adaptar a rotina e não apenas aumentar ou reduzir as porções de ração de forma mecânica. Em dias frios, os animais aceitam melhor a comida se ela for servida em locais protegidos de correntes de ar e em momentos de maior disposição. Para pets mais seletivos especialmente idosos e gatos, fatores como o aroma, a textura e a temperatura do alimento ganham ainda mais importância.

Os petiscos também surgem como aliados para movimentar os pets dentro de casa. Como muitos cães e gatos reduzem a atividade espontaneamente, os snacks podem ser utilizados para criar estímulos e dinâmicas de brincadeiras.

  • Para cães: O tutor pode esconder pequenas porções de petiscos em diferentes cômodos, criar trajetos guiados ou utilizar objetos interativos que exijam manipulação simples.
Em cães o tutor pode esconder pequenas porções de petiscos em diferentes cômodos, criar trajetos guiados ou utilizar objetos interativos que exijam manipulação simples. Foto: Pexels
  • Para gatos: O estímulo funciona melhor ao respeitar o comportamento exploratório da espécie, espalhando pequenas quantidades em pontos de passagem ou usando recipientes que incentivem o toque e a investigação.

“Esse uso também contribui para manter o vínculo durante uma estação em que a convivência pode ficar mais concentrada dentro de casa. Quando o responsável cria pequenas oportunidades de interação ao longo do dia, o animal não depende apenas dos momentos tradicionais de passeio ou refeição para se engajar com o ambiente. Isso é especialmente relevante para pets que passam mais tempo em repouso no inverno”, elucida Bruna.

Hidratação e atenção aos sinais de alerta

Outro ponto crítico no inverno é a hidratação, visto que os animais costumam beber menos água na estação fria. O cuidado deve ser redobrado com os felinos, que já possuem uma menor tendência natural de ingerir líquidos. A orientação é distribuir mais potes com água fresca pela residência e avaliar o uso de alimentos úmidos (como sachês e patês) para ajudar a preservar o equilíbrio hídrico do organismo.

Por fim, o aumento das horas de sono não deve ser motivo de pânico imediato, desde que o pet continue ativo nos momentos certos.

“A atenção deve estar na combinação de sinais. Um animal que descansa mais, mas mantém interesse por comida, interação e estímulos, provavelmente está apenas ajustando seu comportamento à estação. Já prostração, recusa alimentar persistente, perda de peso, tremores frequentes ou isolamento excessivo exigem avaliação veterinária”, alerta a profissional.