O crescimento no uso de medicamentos voltados ao emagrecimento, como a tirzepatida e a semaglutida, tem levantado dúvidas entre pacientes que precisam se submeter a exames endoscópicos. A principal preocupação da comunidade médica envolve a necessidade de suspensão temporária dessas substâncias antes da realização dos procedimentos.
Segundo Camila Leiner, médica endoscopista da clínica curitibana Endoclim, esses medicamentos atuam aumentando a sensação de saciedade e desacelerando o esvaziamento gástrico. Em razão dessa alteração metabólica, o estômago pode reter resíduos alimentares mesmo quando o paciente cumpre rigorosamente o tempo de jejum orientado.

Durante a endoscopia, a presença de resíduos no estômago pode prejudicar a visualização adequada da mucosa digestiva e mascarar eventuais lesões. No entanto, o fator crítico da orientação está na segurança do paciente sob sedação. O contato do aparelho endoscópico com a região inicial do esôfago costuma estimular o reflexo de vômito; sob o efeito de sedativos, contudo, as respostas reflexas de proteção das vias aéreas — como a tosse — ficam atenuadas. A ocorrência de refluxo nesses episódios pode levar à broncoaspiração, complicação caracterizada pela entrada de conteúdo gástrico nos pulmões.
A restrição preventiva estende-se também às colonoscopias. Embora o exame tenha foco no intestino grosso e não avalie a cavidade gástrica, a administração de sedativos mantém a necessidade de prevenção contra o risco broncoaspirativo.

Na Endoclim, a diretriz estabelecida prevê a interrupção do uso dessas medicações por um período de 14 dias que antecedem os exames. A especialista ressalta que as condutas sobre o tema permanecem sob análise contínua da comunidade científica global, que busca consolidar o intervalo de suspensão ideal.
A orientação fundamental é que os pacientes comuniquem o uso dessas substâncias à equipe de saúde para que a conduta seja alinhada entre os médicos responsáveis pelo tratamento e pela execução do exame.





