O avanço no uso de medicamentos à base de agonistas do GLP-1 para o tratamento do sobrepeso e da obesidade tem impactado diretamente o planejamento de cirurgias plásticas. Como a perda de peso por meio dessas medicações pode chegar a 20% do peso corporal, os contornos anatômicos se alteram, exigindo que procedimentos como lipoaspiração, abdominoplastia e cirurgias reparadoras passem por avaliações distintas das praticadas até poucos anos atrás.
Apesar dos resultados no emagrecimento, especialistas alertam que a redução de medidas não deixa o paciente automaticamente apto a operar. A indicação para a cirurgia depende da estabilidade do peso, do estado nutricional, da qualidade da pele e da preservação da massa muscular, fatores que influenciam na recuperação e nos resultados estéticos.

De acordo com o cirurgião plástico Vinicius Julio Camargo, esses medicamentos atuam como aliados quando integrados a um acompanhamento médico multiprofissional.
“O emagrecimento medicamentoso pode preparar o paciente para uma cirurgia plástica, desde que aconteça de forma controlada e com acompanhamento profissional. Quando o peso se estabiliza, os resultados tendem a ser mais previsíveis e seguros”, explica o médico.
Uso do medicamento exige cautela e pausa pré-operatória
A popularidade das canetas emagrecedoras não acelera a indicação do ato cirúrgico. Na maioria das vezes, o processo exige tempo para que o organismo se adapte às transformações do emagrecimento. Elementos como a redução da gordura, o aumento da flacidez, a perda de massa magra e as mudanças na elasticidade cutânea interferem diretamente na cicatrização e no resultado final.

Outro ponto destacado é a necessidade de suspensão temporária dos medicamentos no período pré-operatório, conforme alinhamento entre o cirurgião plástico e a equipe de anestesia.
“O paciente precisa estar em uma fase de estabilidade. Nem sempre quem está emagrecendo está pronto para operar. Cada caso exige uma avaliação individual”, destaca Dr. Vinicius.
Perda de peso acelerada traz riscos ao resultado
A utilização dos agonistas de GLP-1 com a finalidade exclusiva de acelerar a perda ponderal antes de um procedimento cirúrgico eleva os riscos à saúde. Perdas bruscas de peso favorecem a flacidez, reduzem a massa muscular e causam deficiências nutricionais, comprometendo a recuperação.
Por outro lado, pacientes com obesidade que passam por uma perda de peso gradual costumam apresentar melhores condições clínicas para intervenções como abdominoplastia, lifting corporal e mastopexia (redução ou elevação das mamas).
O especialista reforça que os medicamentos não substituem a cirurgia plástica: eles controlam o peso, mas não removem o excesso de pele nem corrigem a flacidez decorrente do emagrecimento acentuado.
As canetas ajudam no controle do peso, enquanto a cirurgia trata as mudanças que permanecem após o emagrecimento, como excesso de pele e flacidez. São abordagens diferentes, mas que podem se complementar quando bem indicadas”, pontua.
Com a alta demanda por esses tratamentos e maior rigor nas regras de comercialização, a recomendação é para que tanto o tratamento do sobrepeso quanto a decisão pela cirurgia sejam totalmente individualizados, respeitando o tempo de estabilização do organismo para garantir uma recuperação segura e resultados duradouros.





