O infarto agudo do miocárdio é a principal causa de mortes no Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde. Com uma estimativa de 300 mil a 400 mil casos anuais no país resultando em um óbito a cada cinco a sete episódios, o atendimento médico nos primeiros minutos é crucial para reduzir a mortalidade.
O principal sinal de alerta é a dor ou desconforto na região torácica, que pode se irrogar para as costas, pescoço, queixo e braço esquerdo (e, mais raramente, para o braço direito). Contudo, a dor no peito não é exclusiva do infarto. De acordo com a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), apenas de 5% a 20% dos pacientes que chegam ao pronto-socorro com dor torácica apresentam síndrome coronariana aguda.
Ainda assim, o sintoma não deve ser ignorado, pois condições graves como pneumotórax hipertensivo e ruptura de esôfago também demandam intervenção imediata. Somente após descartar emergências vitais é que causas de menor risco, como distúrbios digestivos ou ansiedade, são investigadas.

A Sobreposição Entre Ansiedade e Sintomas Cardíacos
Os transtornos de ansiedade afetam 4,4% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O Brasil lidera o ranking global de prevalência, com 9,3% dos habitantes afetados. Entre os sintomas frequentes das crises estão aperto no peito, falta de ar, tontura e palpitações manifestações que se assemelham às de eventos cardiovasculares.
Para esclarecer a origem do quadro, o Ministério da Saúde recomenda a realização de eletrocardiograma em até dez minutos após a triagem inicial para pacientes com suspeita de infarto. A agilidade no diagnóstico melhora o prognóstico do paciente, razão pela qual a SBC destaca a importância de equipes preparadas para conduzir o manejo inicial em prontos-socorros gerais.
Em São Paulo, unidades com estrutura dedicada ao atendimento cardiovascular, como o Hospital São Luiz Itaim, na Zona Sul, contam com equipes especializadas e recursos para investigação diagnóstica precisa.

Como Diferenciar os Sintomas
Embora a avaliação médica seja indispensável, o cardiologista Roberto Yano, especialista em estimulação cardíaca artificial, aponta características que ajudam a diferenciar os quadros:
- Infarto: A dor costuma se manifestar como aperto ou queimação intensa, geralmente do lado esquerdo, durando mais de 20 minutos. Pode irradiar para braços, pescoço ou estômago, acompanhada de suor frio, náuseas, palidez, falta de ar e sensação de desmaio. Costuma surgir após estresse intenso ou refeições volumosas, e o paciente tende a poupar energia.

- Ansiedade: A dor tende a ser mais localizada, em formato de pontadas no meio do peito, sem irradiação. O paciente costuma apresentar estado de agitação, nervosismo ou pânico.
O especialista ressalta que essas características não são regras absolutas, e o diagnóstico definitivo depende de exames físicos e complementares.
O Impacto da Ansiedade na Saúde do Coração
A relação entre fatores emocionais e o sistema cardiovascular vai além da semelhança sintomática. Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (Socergs), a ansiedade pode desencadear ou agravar doenças cardíacas existentes.
O vice-presidente da Socergs, André Luís Câmara Galvão, explica que o estresse emocional contínuo estimula a liberação de hormônios que elevam a pressão arterial e a frequência cardíaca, favorecendo arritmias e complicações. Nesses casos, o tratamento preventivo e integrado envolve cardiologistas, psiquiatras e psicólogos, combinando abordagens como a terapia cognitivo comportamental e acompanhamento farmacológico quando indicado.





