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*Por Luiza Esteves

Luiza Esteves é médica endocrinologista do Hospital São Marcelino Champagnat. Foto:
Moniz Caldas

Condições de saúde complexas como a obesidade e a menopausa envolvem desregulações hormonais profundas no organismo. Enquanto a obesidade afeta o controle da fome e da saciedade, a menopausa é marcada pela queda na produção de hormônios femininos. Contudo, nas redes sociais, essas alterações fisiológicas frequentemente têm sua complexidade reduzida a promessas de curas rápidas e produtos como chás emagrecedores ou fórmulas para alívio de fogachos.

O uso do rótulo “100% natural” cria uma falsa sensação de segurança entre os consumidores. Conforme ressaltam especialistas da área de endocrinologia, a origem natural de uma substância não garante a ausência de riscos. O principal perigo reside na adulteração clandestina de chás e suplementos alimentares com substâncias sintéticas não declaradas nos rótulos, incluindo anfetaminas, antidepressivos, ansiolíticos e alucinógenos.

Conforme ressaltam especialistas da área de endocrinologia, a origem natural de uma substância não garante a ausência de riscos. Foto: Magnific

Complicações à Saúde Física e Psicológica

Análises da Polícia Científica de Santa Catarina e relatórios de órgãos internacionais de saúde nos Estados Unidos apontam o recolhimento constante de produtos vendidos livremente na internet contendo fármacos ocultos. A combinação descontrolada dessas substâncias sobrecarrega órgãos vitais e o sistema cardiovascular, podendo causar sintomas como dores de cabeça, sede excessiva, tonturas, episódios de perda de consciência, internações em UTI e risco de morte.

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou que 63% dos processos de investigação instaurados envolveram suplementos alimentares irregulares. Foto: Magnific

Entre 2020 e 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou que 63% dos processos de investigação instaurados envolveram suplementos alimentares irregulares. Além dos danos físicos, o fracasso sucessivo dessas fórmulas milagrosas gera frustração e sentimentos de culpa, aprofundando a vulnerabilidade emocional do paciente. Endocrinologistas reforçam que o tratamento adequado da obesidade e das oscilações da menopausa exige acompanhamento multidisciplinar, adequação no estilo de vida e, quando indicado, uso de medicamentos prescritos e monitorados por profissionais.

Luiza Esteves é médica endocrinologista do Hospital São Marcelino Champagnat.