O Perigo silencioso do colesterol em 2026

O colesterol é frequentemente visto como o grande vilão da alimentação, mas a verdade é que nem todas as gorduras são prejudiciais à saúde. Enquanto o excesso de alguns tipos de lipídios pode elevar significativamente o risco de doenças cardiovasculares, outras gorduras são essenciais para o bom funcionamento do organismo humano.

Segundo o cardiologista e docente da Faculdade Santa Marcelina, Juliano Cardoso, o segredo para a longevidade não está em eliminar completamente as gorduras da dieta, mas sim em entender suas diferenças e adotar um estilo de vida equilibrado.

Já as gorduras trans, encontradas em ultraprocessados, são ainda mais prejudiciais porque aumentam o LDL e reduzem o HDL. Foto: Pexels

“Nem toda gordura faz mal. As gorduras saturadas, presentes principalmente em carnes gordurosas, embutidos, manteiga e laticínios integrais, podem elevar o colesterol LDL quando consumidas em excesso. Já as gorduras trans, encontradas em ultraprocessados, são ainda mais prejudiciais porque aumentam o LDL e reduzem o HDL. Por outro lado, gorduras boas, como as do azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes, ajudam a proteger o coração”, explica o especialista.

Essencial para a Vida, Perigoso em Excesso

Embora o colesterol exerça funções vitais no corpo, o desequilíbrio em seus níveis na corrente sanguínea acende o alerta para infartos e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs). O principal foco do controle clínico atual é o LDL, devido ao seu papel direto no desenvolvimento da aterosclerose (o acúmulo de gordura nas artérias).

O principal foco do controle clínico atual é o LDL, devido ao seu papel direto no desenvolvimento da aterosclerose (o acúmulo de gordura nas artérias). Foto: Magnific

As frações do colesterol dividem-se em:

  • LDL (Colesterol Ruim): Pode se depositar na parede das artérias, formando placas de gordura que obstruem o fluxo sanguíneo.
  • HDL (Colesterol Bom): Atua de forma protetora, recolhendo o excesso de colesterol da circulação e levando-o para ser eliminado no fígado.
  • Triglicerídeos: Outro tipo de gordura que, quando apresenta taxas elevadas, potencializa consideravelmente o risco cardiovascular.

Uma Doença Silenciosa e Genética

Um dos maiores perigos do colesterol alto é a total ausência de sintomas. A taxa elevada costuma agir de forma silenciosa, sem dar sinais físicos até que ocorra uma complicação grave de saúde. Por conta disso, a realização de exames de rotina é fundamental para o diagnóstico precoce.

O médico ressalta que, embora a alimentação influencie as taxas, ela não é a única causa do problema. O colesterol alto também é influenciado por:

  • Genética (como a hipercolesterolemia familiar, onde o paciente tem taxas altas mesmo mantendo hábitos saudáveis);
  • Sedentarismo e obesidade;
  • Diabetes e hipotireoidismo;
  • Tabagismo e consumo excessivo de álcool;
  • Envelhecimento natural do corpo.

Para prevenir os riscos, medidas simples no dia a dia geram grande impacto: adotar uma dieta rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais, reduzir o consumo de ultraprocessados, praticar exercícios físicos regularmente, manter o peso controlado, evitar o fumo e monitorar o estresse e a pressão arterial.

Um dos maiores perigos do colesterol alto é a total ausência de sintomas. Foto: Magnific

Avanço nos Tratamentos Médicos

Para os pacientes que necessitam de intervenção medicamentosa, o cenário terapêutico evoluiu muito nos últimos anos, ampliando o leque de opções principalmente para os casos de alto risco.

As estatinas (como a atorvastatina e a rosuvastatina) continuam sendo a base do tratamento tradicional, muitas vezes associadas à ezetimiba para potencializar os resultados. No entanto, novas medicações modernas têm transformado o tratamento de origem genética ou de difícil controle:

  • Inibidores de PCSK9: Medicamentos injetáveis capazes de reduzir o colesterol LDL em mais de 50%.
  • Inclisiran: Uma terapia inovadora de longa duração, aplicada por via injetável apenas duas vezes ao ano.

O cardiologista Juliano Cardoso conclui reforçando que, independentemente da modernidade dos remédios, o acompanhamento médico regular e a prevenção ativa continuam sendo as melhores armas para proteger o coração.