Ao completar 27 anos de operação, o aeroporto do Transamerica Comandatuba desperta memórias de uma trajetória que acompanhei de perto como jornalista e editor de turismo, incluindo momentos históricos do Brasil que vivi hospedado na ilha baiana
Algumas notícias chegam à redação trazendo informações. Outras chegam trazendo lembranças. Foi exatamente o que aconteceu quando recebi a notícia de que, no próximo dia 20 de agosto, o aeroporto do Transamerica Comandatuba completa 27 anos de operação.

Imediatamente veio a nostalgia.
Minha história com Comandatuba se mistura a uma fase importante da minha própria trajetória profissional. Durante muitos anos, como jornalista de turismo e editor dos cadernos de turismo dos jornais Diário da Serra e Folha do Povo, em Campo Grande (MS), acompanhei de perto o desenvolvimento da hotelaria brasileira e tive o privilégio de conhecer destinos que naquele momento começavam a transformar o conceito de turismo no País.

Comandatuba foi um deles.
O resort havia sido inaugurado em março de 1989, depois de quatro anos de obras, em uma área cercada por 21 quilômetros de praia no sul da Bahia. Naquele momento, já surgia com uma proposta que ajudaria a redefinir o conceito de resort no Brasil, combinando hotelaria, natureza, lazer e uma estrutura que cresceria continuamente nas décadas seguintes. (Transamerica Comandatuba)
A cada nova ampliação, novidade ou etapa importante do hotel, eu estava entre os jornalistas convidados. Foram muitas viagens, reportagens, encontros e histórias. E entre esses momentos está justamente a inauguração do aeroporto de Comandatuba, em 1999.

Agora descubro que já se passaram 27 anos.
O tempo voa. E como voa.
A criação do aeroporto foi uma decisão visionária. Muito antes de se falar com tanta frequência em jornada do consumidor, experiência do hóspede ou otimização do tempo de viagem, Comandatuba já entendia que as férias começavam no deslocamento. Hoje, o aeroporto possui pista de 2 mil metros de comprimento por 30 metros de largura e estrutura capaz de receber aeronaves comerciais, incluindo modelos do porte de Boeing 737 e Airbus A320. (Transamerica Comandatuba)
Em 2021, aquela estrutura originalmente criada como aeródromo privado passou a operar como aeroporto público, ampliando as possibilidades de acesso comercial ao destino. Atualmente, Comandatuba conta inclusive com voos semanais diretos, tornando ainda mais curta a distância entre os grandes centros e a ilha. (Transamerica Comandatuba)
Mas quando penso em Comandatuba, não penso apenas na estrutura, no aeroporto, nas piscinas, nos restaurantes ou naquela paisagem extraordinária. Penso nas histórias que vivi ali.
Duas delas, particularmente, permanecem muito vivas na minha memória porque coincidiram com momentos que pararam o Brasil.

A primeira aconteceu em março de 1990.
Eu estava hospedado em Comandatuba quando o recém-empossado presidente Fernando Collor de Mello anunciou o Plano Collor. Em 16 de março de 1990, um dia depois de sua posse, o governo apresentou o pacote econômico que determinou o bloqueio de grande parte dos valores existentes nas contas e cadernetas de poupança dos brasileiros por 18 meses. (SciELO)
É impossível esquecer o ambiente dentro do hotel.
Naquela época, o turismo funcionava de maneira muito diferente. Os grandes pacotes e toda a facilidade de comercialização que conhecemos atualmente ainda não faziam parte daquela realidade da mesma forma. Muitas reservas eram feitas diretamente com os hotéis.
E havia muitos empresários hospedados em Comandatuba.
De repente, férias, praia e descanso deram lugar à apreensão. Lembro-me das pessoas reunidas diante da televisão, acompanhando cada informação que chegava. Empresários tensos, tentando compreender o que estava acontecendo com suas empresas, seus recursos e suas contas bancárias.

O Brasil havia praticamente parado diante da televisão — e Comandatuba também.
Quatro anos depois, viveria ali outro momento absolutamente inesquecível.
No dia 1º de maio de 1994, Ayrton Senna sofreu o acidente fatal durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, na Itália. O tricampeão mundial tinha 34 anos, e sua morte provocou uma comoção nacional que poucas vezes vi se repetir no País. (Reuters)
Mais uma vez, eu estava hospedado em Comandatuba.
Lembro-me do impacto da notícia e da atmosfera que tomou conta do hotel. Senna era muito mais do que um piloto de Fórmula 1 para os brasileiros. Representava talento, determinação, excelência e uma espécie de orgulho nacional que fazia milhões acordarem cedo aos domingos para vê-lo correr.
Para Comandatuba e para a Rede Transamerica, a comoção tinha ainda um significado muito particular pela proximidade existente com o universo de Ayrton Senna. Anos depois, esse vínculo também se manifestaria institucionalmente em ações do resort com o Instituto Ayrton Senna. Em 2010, por exemplo, Comandatuba desenvolveu uma parceria inédita na hotelaria com o instituto, levando o personagem Senninha à programação do resort. (Mercado e Eventos)

São lembranças como essas que fazem determinados lugares deixarem de ser simplesmente destinos turísticos.
Eles passam a fazer parte da nossa história.
Hoje, Comandatuba vive mais uma fase de sua trajetória. O resort trabalha um reposicionamento que procura destacar não apenas sua infraestrutura, mas aquilo que existe por trás dela: a hospitalidade baiana, a relação com a natureza, a gastronomia, a experiência de atravessar o canal de balsa e chegar a um território cercado por mar, manguezal e vegetação preservada.
São 363 acomodações, cinco restaurantes, três piscinas, spa e mais de 80 opções de esporte e lazer, mas talvez o verdadeiro patrimônio de Comandatuba não possa ser medido em números.
Ele está na memória de quem esteve lá.
Está nas famílias que voltaram várias vezes, nos filhos que retornaram adultos, nos encontros, nas histórias e também nos jornalistas que, como eu, tiveram o privilégio de acompanhar parte dessa transformação.
Quando vejo hoje o aeroporto completando 27 anos, inevitavelmente me lembro daquele jovem jornalista viajando pelo Brasil, descobrindo hotéis, destinos e experiências para contar aos leitores de Mato Grosso do Sul.

Tanta coisa mudou desde então.
Mudou o turismo, mudou a comunicação, mudaram os jornais, mudou a maneira de viajar e mudou a própria hotelaria. O Transamerica Comandatuba também mudou, ampliou sua estrutura e atravessou diferentes momentos do turismo brasileiro.
Mas algumas sensações permanecem.
E talvez seja justamente esse o maior mérito de um destino: sobreviver ao tempo sem desaparecer da memória.
Comandatuba faz parte da história do turismo brasileiro. E, com certeza, faz parte da minha história profissional.
Vinte e sete anos depois da inauguração daquele aeroporto que tive o privilégio de acompanhar, fica uma constatação inevitável: o tempo voa. E como voa.

…Bom dia! “Não importa se você vai devagar, tanto quanto importa o fato de você não parar”
…Um abraço aos aniversariantes de hoje: Eliandre Eledga Siqueira Lohmann, Reginaldo Terra, Gisele Rosa Pedroso, Ana Maria Almeida, Leandro Adorno, Amilton Obino de Abreu, Eliana Nobre, Amilton Candido de Oliveira, Roberta Romero Lopes, Claudia Canale, Jean Phierre Vargas, Roberto Aliberti, Carina de Pereira. Happy birthday!




