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Fim dos ‘cookies’ de terceiros é uma oportunidade única para as operadoras móveis

* Por Jair Santiago

Você está procurando um hotel para passar as férias de verão por meio de uma agência de viagens on-line. Depois disso, enquanto navega em vários sites, aparecem anúncios sobre o mesmo ou outros hotéis, passagens aéreas, aluguel de carros etc. Esse é um tipo de publicidade predominante na internet, impulsionada por cookies de terceiros (pacotes de dados armazenados em um navegador sempre que um usuário visita um site), que há muito são vistos como elementos-chave para a criação de campanhas de marketing personalizadas on-line. Segundo o Customer Engagement Report 2022, levantamento realizado pela Twillio, 81% das empresas contam com esses cookies de forma total ou substancial.

No entanto, como eles rastreiam os usuários na web, por causa das crescentes preocupações com a privacidade, alguns navegadores (como o Safari, da Apple, e o Firefox, da Mozilla) já os eliminaram. O Google Chrome fará o mesmo no segundo semestre de 2024. Até esse momento, 87% do tráfego da web não são rastreados por cookies de terceiros. Isso fez com que o setor de publicidade digital iniciasse uma busca para encontrar novas maneiras de habilitar anúncios direcionados que cumpram as leis de privacidade no caso do Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Mudando o foco para dados primários

A primeira alternativa pensada foi a de aproveitar os dados primários, como endereços de e-mail ou números de telefone celular. Isso não é novidade, pois há muito tempo as empresas solicitam os dados pessoais dos clientes para lhes enviar ofertas e outras informações comerciais por meio de comunicações personalizadas. Afinal, os dados primários são menos intrusivos, permitem que as marcas conquistem a confiança dos consumidores, podem ajudar na criação de melhor experiência do usuário e respeitam as normas da LGPD.

Então, por que o marketing baseado em dados primários ainda não é a prioridade dos profissionais de marketing? A resposta é simples: eles sempre foram muito difíceis de adquirir. E depois, mesmo quando são recolhidos, 62% das marcas afirmam não conseguir integrá-los, enquanto metade não os compreende². Coletar e gerenciar esse tipo de dado de forma eficiente requer capacidades analíticas “pesadas” para executar grandes ferramentas, com especialistas qualificados para limpar, organizar e entender as informações.

Como as operadoras móveis entram em jogo

As operadoras de telefonia móvel (MNOs) estão em uma posição única para enfrentar os desafios de um mundo sem cookies de terceiros, pois as redes móveis servem como “entrada” na internet para milhões de clientes. Com a tecnologia certa de mobile marketing aplicada e o consentimento do usuário, as operadoras podem identificar a maioria dos visitantes convidados de um site, usando o número do celular como um identificador exclusivo.

Dessa forma, as MNOs podem fornecer insights anônimos e compatíveis que permitem que as marcas ofereçam campanhas personalizadas e baseadas em dados, incorporando múltiplos canais, como o próprio site da marca ou canais de mensagens móveis – SMS, Rich Communication Services (RCS), WhatsApp etc. Ao mesmo tempo, as empresas podem construir seus bancos de dados de gerenciamento de relacionamento com clientes.

Tudo isso nos faz acreditar que as operadoras móveis agora podem se tornar as novas “melhores amigas” dos anunciantes digitais.

Duas festas, uma ausência

*Por Claudio Cardoso

Menos de dois meses separaram os dois principais eventos de tecnologia e inovação no setor financeiro do Brasil. Na verdade, foram verdadeiras festas da diversa e intensa comunidade formada por bancos e empresas de tecnologia, dos mais variados matizes, portes e origens.

Curiosamente, todos compareceram, exceto os maiores bancos no segundo encontro. Fiquei me perguntando sobre as razões dessa ausência notada em apenas uma das duas ocasiões. Ambos realizados em São Paulo, o primeiro em agosto no icônico prédio da Bienal do Ibirapuera, a Febraban Tech 2022 e o segundo evento, o Fintouch 22, que foi realizado em setembro, no arrojado Um Rooftop.

No Febraban Tech, congresso e exposição de tecnologia das informações das instituições financeiras, é notável o peso e a longa tradição da federação dos bancos, além do interesse direto da grande indústria de tecnologia. O evento atraiu, somados os seus três dias, 25 mil visitantes e uma coleção de personalidades entre palestrantes, debatedores e altos executivos, além de numerosos estandes. Merecem destaque, entre os presentes, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central; Ban Ki-Moon, ex-secretário-geral da ONU; Paul Krugman, Nobel de Economia; além de praticamente todos os presidentes dos maiores bancos do país.

Já no Fintouch 22, evento promovido pela ABFintechs, a Associação Brasileira de Fintechs, circularam 600 visitantes e se apresentaram 80 palestrantes. Entre eles, por meio de uma saudação especialmente gravada para a abertura, novamente o presidente do Banco Central, Roberto Campos. Todo o encontro foi notavelmente vibrante e contou com 18 painéis, nos quais se reuniram representantes de órgãos governamentais, entidades de pesquisa, algumas delas estrangeiras, e atores de destaque do ecossistema de inovação e do mundo ESG. Naturalmente, a ocasião reuniu praticamente todos os fundadores das principais fintechs do País.

Para aqueles que desfrutaram do privilégio de circular entre os estandes e sentir a eletricidade no ar em várias palestras e vários debates dos dois eventos, o fato que não passou despercebido foi a ausência dos grandes bancos no Fintouch. Aliás, algo inesperado e até mesmo surpreendente. Afinal de contas, todo o planeta financeiro vive a era do rebundling.

O unbundling corresponde a uma primeira onda de transformação do setor financeiro, uma espécie de desagregação dos serviços antes oferecidos com exclusividade pelos bancos, que atuavam como one-stop-shop para os produtos financeiros. Esse movimento resultou especialmente do surgimento das fintechs focadas em serviços inovadores em meios de pagamento, conta corrente, investimentos e cartões, entre outros. Já o rebundling traçou um caminho de volta ao “tudo em um só lugar”, à medida que bancos incumbentes passaram a oferecer produtos e serviços adicionais, em boa parte graças a uma significativa onda de fusões e aquisições com empresas de tecnologia e startups.

Até a crise financeira global de 2008, a maioria dos usuários de serviços bancários movimentava suas contas em um ou dois bancos, no máximo. Atualmente, não é incomum que pessoas tenham até dez aplicativos financeiros em seus smartphones. Segundo o estudo Rebundling: The Next Stage of the Fintech Evolution, recentemente publicado pelo Banking Circle Group em parceria com a Finextra, o impacto das fintechs não provocou apenas a fragmentação dos serviços, lembrando que muitos sequer existiriam sem essas startups. O fato é que as fintechs passaram a abocanhar parte das receitas do setor. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, ainda de acordo com o relatório, elas capturam de 3 a 5% do total das receitas bancárias. Ao mesmo tempo, 40% dos clientes de varejo dos EUA usam serviços de fintechs para efetuar pagamentos. Na Europa Ocidental, a penetração é de 30%. Aqui não é diferente.

Testemunhamos nas últimas décadas uma verdadeira revolução do setor financeiro, particularmente intensificada em anos mais recentes no Brasil com a chegada do open finance e o crescimento do mercado de capitais. Nesse ponto, estamos pelo menos cinco anos à frente dos nossos vizinhos na América Latina. Vimos serviços bancários passar de pacotes oferecidos exclusivamente por bancos tradicionais para uma significativa dispersão de alternativas, com as fintechs preenchendo lacunas, tirando proveito de oportunidades e fornecendo soluções inovadoras.

Hoje, no entanto, estamos acompanhando um movimento de reagrupamento do mercado. E os bancos estão tomando medidas para fornecer a seus clientes uma ampla gama de soluções, só que desta vez em colaboração com fornecedores especialistas, e grande parte deles é de fintechs.

De volta às festas, a notável presença maciça das fintechs no Febraban Tech. Já no Fintouch, entre os 26 expositores, apenas cinco bancos de menor porte. Porém, acredito que todos eles, cada um em seu grau de maturidade, com visão de futuro clara e postura proativa para com o ecossistema de inovação brasileiro. Quem lá esteve percebeu a notável atmosfera de comunidade, o espírito colaborativo e o desejo de realizar bons negócios. Foi uma espécie de celebração nacional da inovação, do venture capital e do rebundling. Mas, voltei para casa sem entender a ausência dos grandes bancos.

Claudio Cardoso é consultor de comunicação estratégica no Banco Alfa

Chef Olivardo Saqui ensina Fraldinha gratinada à portuguesa

O chef Olivardo Saqui, da Quinta do Olivardo, tradicional restaurante de gastronomia portuguesa localizado na Rota do Vinho, em São Roque, e no Brooklin, na Capital, ensina receita fácil, saborosa e prática de fraldinha gratinada à quatro queijos com toque da culinária portuguesa.

“A receita é de dar água na boca e agrada todos os paladares. Para completar, basta preparar como acompanhamento um arroz branco, por exemplo, e surpreender sua família e convidados”, garante o chef.

Confira abaixo o passo a passo:

Fraldinha gratinada com queijos à portuguesa

Ingredientes:

  • 1 peça de fraldinha
  • 200 gramas de gorgonzola ralado
  • 200 gramas de parmesão ralado
  • 150 gramas de queijo prato fatiado
  • 200 gramas de requeijão cremoso
  • 4 batatas grandes já cozidas em pétalas
  • 10 cebolas aperitivo pré-cozidas
  • 15 tomates cereja
  • 3 folhas de louro
  • Sal à gosto
  • Pimenta do reino à gosto
  • Salsa à gosto
  • Azeitona à gosto.
  • Azeite à gosto

Modo de preparo:

Em uma frigideira coloque um fio de azeite e deixe aquecer bem. Adicione a fraldinha já temperada com sal e pimenta do reino e deixe selar bem dos dois lados. Retire e coloque em uma assadeira, cubra com gorgonzola, parmesão, requeijão cremoso e queijo prato, leve ao forno a 200ºC por 10 minutos para gratinar.

Em outra frigideira, coloque um fio de azeite, as batatas e cebolas em fogo alto para pegar coloração, tempere com sal, louro e pimenta do reino à gosto. Quando dourar dos dois lados acrescente os tomates, mexa tudo e finalize com salsa picada. Reserve.

Monte em uma travessa, com a carne já fatiada e com o acompanhamento a sua volta. Finalize com azeitonas e galhos de salsa.

Tempo de preparo: 30 minutos              Rendimento: 4 porções

Confira as praias de Saint Barth: Lorient Beach e Marigot Beach

Dando continuidade a série Conhecendo as praias de Saint Barth, é a vez de apresentar Lorient e Marigot Beaches, duas praias distintas mas igualmente belas. As duas possuem águas calmas e agradáveis para banho, com uma riqueza inigualável de recifes e vida marinha característicos da ilha de Saint Barthélemy.

Lorient Beach

Protegida por recifes e rochas, Lorient é a praia ideal para prática de mergulho e snorkeling. É também um dos pontos preferidos dos surfistas da ilha, conhecida pelos moradores como “les petits bassins”, ou pequenas piscinas em tradução livre.

Possui vários restaurantes e bares próximos, alguns deles oferecendo serviços de drinks e aperitivos na própria praia, onde servem muito bem os visitantes que relaxam embaixo dos guarda-sóis. É a praia perfeita para toda família, e por estar localizada num ambiente mais urbano, acaba possuindo mais fácil acesso ao seu território.

Marigot Beach

É conhecida por possuir uma faixa de areia mais estreita e belas águas azuis claras. Possui villas e hotéis ao seu redor, porém não é muito movimentada. É ideal para mergulhos e banhos, por possuir um mar calmo e agradável.

Marigot Beach faz parte da Reserva Marinha de Saint Barth, então suas rochas e recifes de corais abrigam uma imensa variedade de peixes e outros animais marinhos. Vale a pena fazer um mergulho e observar de perto a riqueza da biodiversidade local.

Receita fácil de Bruschetta na sanduicheira

A bruschetta é um aperitivo de origem italiana que consiste em um pão tostado em uma grelha com azeite e depois esfregado com alho. A partir dessa base, há diversas outras variações que ficam deliciosas e que são fáceis de fazer! Para tostar o pão, pode contar com a nossa Sanduicheira Panini Gourmet, que possui uma tampa que trava acima dos alimentos para preparar facilmente bruschettas e sanduíches abertos.

Ingredientes:

  • Pão italiano
  • Azeite
  • 1 dente de alho
  • Tomates picados
  • Queijo muçarela ralado

Modo de preparo:

Faça fatias do pão italiano e regue todas as fatias com azeite, dos dois lados. Leve as fatias para dourar no grill, mantendo-o aberto. Assim que começarem a dourar, vire a parte de baixo para cima.

Esfregue o dente de alho sobre as faces já douradas e cubra com tomatinhos picados e o queijo. Deixe grelhar até que a base de cada fatia esteja dourada e o queijo derreta!

Fonte da receita – Hamilton Beach

Para o almoço: Receita de lasanha com tapioca

Aprenda como fazer um prato principal para o almoço em poucos passos, perfeito também para quem tem intolerância ao glúten.

Está buscando uma receita para o almoço de domingo para surpreender toda a família, mesmo a quem tem intolerância ao glúten. Que tal uma opção de lasanha com massa de crepioca que utiliza apenas a Tapioca Da Terrinha, leite de coco e ovos para o preparo.

Na nossa sugestão, a lasanha é recheada com presunto e queijo muçarela. Mas você pode inovar e criar variações com frango defumado, peito de peru, carne seca ou legumes, conforme sua criatividade.

Confira os ingredientes e o modo de preparo abaixo:

Lasanha de tapioca

Ingredientes:

  • 2 xícaras de Tapioca
  • 7 colheres de leite de coco
  • 2 ovos
  • 2 colheres (sopa) de azeite
  • 250 g de presunto cozido
  • 250 g de muçarela
  • 50 g de queijo Parmesão ralado
  • 500 g de molho de tomate pronto
  • Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:

Em um recipiente misture a tapioca, o leite de coco e os ovos;

Em uma frigideira, faça discos finos com a massa;

Unte o recipiente com azeite, coloque uma camada de massa;

Monte a lasanha fazendo camadas de molho, massa, presunto e muçarela, Termine com uma de molho;

Polvilhe o queijo ralado e cubra com papel alumínio;

Leve ao forno a 200 º C por 15 minutos;

Pronto! Sirva em seguida.

5 lugares incríveis com banheiras de hidromassagem ao ar livre

Uma pesquisa da Booking.com revelou que 2 em cada 3 (66%) viajantes brasileiros teriam um interesse maior de se hospedar em uma acomodação com comodidades de bem-estar, como uma banheira de hidromassagem, do que antes da pandemia. Tendo isso em mente, a plataforma selecionou 5 acomodações com banheiras de hidromassagem ao ar livre. Nelas, os viajantes podem aproveitar a vista das paisagens enquanto desfrutam de um banho quentinho, cercadas por florestas, situadas no topo de uma colina ou à beira-mar.

Blabjorg Resort, Islândia

Situada na vila de pescadores de Borgarfjordur Eystri, na costa nordeste da Islândia, esta exclusiva casa de hóspedes oferece vistas das montanhas e do mar. O Blabjorg Resort, que no passado funcionou como fábrica de peixe, agora possui banheiras de hidromassagem ao ar livre perfeitas para relaxar enquanto o viajante aprecia a vista, ouve as ondas do Atlântico e o som dos pássaros (a conhecida colônia de papagaios-do-mar fica a uma curta distância de carro). Com sorte, ainda é possível assistir à aurora boreal, cuja temporada geralmente vai do final de agosto a meados de abril.

West Coast Hideaways, Reino Unido

Localizado em Nedd, um pequeno vilarejo próximo à nascente noroeste do Lago Nedd na Escócia, este confortável chalé dispõe de pequenas cabanas portáteis independentes, com uma bela vista das montanhas e do mar. Ali, os hóspedes podem aproveitar as banheiras de hidromassagem ao ar livre, aquecidas por um fogão a lenha. O calor da água, junto com a vista e o ar fresco, oferecem uma oportunidade de relaxar nas terras altas da Escócia.

West Coast Hideaways

Peuma Lodge Patagonia, Chile

Localizado em mais de 300 hectares de uma região selvagem chilena, o Peuma Lodge Patagonia oferece um lugar aconchegante para se hospedar no coração do Vale de Futaleufú, ao norte da Patagônia. Ao se hospedar neste chalé, o viajante não pode deixar de tomar um banho na banheira de hidromassagem, que fica no terraço ao ar livre da propriedade. A vista panorâmica e o ar fresco atraem especialmente quem busca uma hospedagem relaxante.

Peuma Lodge Patagonia

A Snug Harbour Inn, Canadá

Este B&B, localizado em Ucluelet, British Columbia, dispõe de uma fantástica vista do oceano graças à sua localização na Trilha Wild Pacific, na qual o viajante pode apreciar a paisagem direto do conforto da banheira de hidromassagem ao ar livre. Também é possível descer a escada de 25 metros a partir do deck principal e encontrar uma pequena praia de seixos privativa e cristalina. Depois de aproveitar a área externa, é possível se aquecer na ampla área comum, que conta com uma lareira e janelas panorâmicas.

A Snug Harbour Inn

Pousada Beijo do Vento, Brasil

Esta acomodação localizada em Arraial D’Ajuda, na Bahia, oferece uma vista panorâmica do mar, com varandas privativas com redes e quartos com banheiras de hidromassagem. A apenas 6 minutos a pé da praia e próximo ao centro da cidade, com seus vários restaurantes e bares, o local é perfeito para relaxar apreciando a vista, admirar o nascer do sol na piscina e aproveitar o clima baiano.

Pousada Beijo do Vento

Merengue: receita fácil para essa sobremesa deliciosa

O morango é uma das frutas mais versáteis que existem, oferecendo diversas possibilidades de receitas. O merengue é uma delas, sendo uma sobremesa que agrada diversos paladares e não sai da moda. O Chef Bernard Contipelli separou um passo a passo simples e rápido para preparar esse doce delicioso. Confira!

Merengue

  • 2 pacotes de suspiro
  • 1,5 kg de morango
  • 1L de creme de leite
  • Nozes a gosto

Modo De Preparo

Em primeiro lugar, bata o creme de leite até chegar ao ponto de chantili e leve para gelar. Depois, quebre os suspiros com as mãos e misture com os morangos cortados em pequenas partes.

Montagem

Coloque a mistura de morangos com suspiro em uma travessa e cubra de forma homogênea com o chantili. Em seguida, decore com quantos morangos inteiros, nozes e suspiros desejar.

A seita que não aceita

*Por Ricardo Viveiros

A deusa Maat, responsável pelo equilíbrio cósmico no antigo e médio Egito há mais de 2.500 anos a.C., determinava o que era certo e errado. Punia “injustos” para impedir o caos. Crenças existem desde sempre. Não por estar no gene humano, como já foi defendido e contestado, mas sim porque o compartilhamento de angústias e a busca da salvação são necessidades das pessoas.

Em 18 novembro de 1978, na Guiana, adultos e crianças tomaram o refresco Flavor Aid com cianeto. Morreram 909 adeptos da seita Templo do Povo, do líder Jim Jones. Um estudo da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, em meados de 2010, apontou que as pessoas intuitivas têm mais fé do que as reflexivas. Adama Dieng, especialista em direitos humanos da ONU, lembra que o Holocausto teve origem nos discursos de ódio.

No início de 1996, a Assembleia Nacional da França divulgou relatório sobre a atuação de seitas e já alertava para o perigo de conturbação social embasado em ideologias radicais e crenças religiosas. No mesmo ano, o Parlamento da Alemanha criou uma comissão para acompanhar seitas e grupos psíquicos.

Na Bélgica, em 1997, um estudo apontou riscos de graves problemas políticos por radicalismos. Ainda nessa época, a Duma Federal da Rússia aprovou lei que limitava a atuação de seitas. Por fim, o próprio Parlamento Europeu interessou-se pelo tema porque “envolve posições irracionais e perigosas”.

Uma coisa é a fé nos princípios de uma religião, outra é a crença irresponsável em ideologias que não têm fundamentos na realidade, que pregam e defendem conceitos vazios contrariando leis, tumultuando o processo democrático e ameaçando a segurança da sociedade.

As eleições de 2022 foram as mais importantes de nossa República. Fascistas que saíram do armário sob a luz da extrema direita, explicitada ao lado dos oportunistas de sempre, foram derrotados pela primeira frente ampla que deu certo no Brasil.

Entretanto persiste um contingente de vítimas de dissonância cognitiva, doença psiquiátrica provocada por brutal campanha de fake news, que precisa conhecer a verdade dos fatos. Essas pessoas acreditam em conspirações, em fantasmas que não existem. As cortes de Justiça, sobretudo Supremo Tribunal Federal e Tribunal Superior Eleitoral, foram determinantes no cumprimento das leis, mesmo diante de forte campanha contra as urnas eletrônicas. Não há como negar fatos, seguir acreditando em falsas versões.

O resultado das urnas foi uma conquista do povo. Venceram os negros, os indígenas, as mulheres, os LGBTQIA+, os artistas, os intelectuais, os professores, os estudantes, os cientistas, os portadores de necessidades especiais e, principalmente, as famílias dos mortos pela Covid-19. Gente que não é vingativa, apenas tragicamente marcada pelo negacionismo, pela falta de respeito à vida.

Importante entender que grosseria, discriminação, racismo, deboche, autocracia, desmando, corrupção, uso do nome de Deus em vão, perigo de retrocesso, mentiras e desrespeito não acabaram. Tais práticas apenas deixaram o poder central do país, mas seguem vivas na seita que não aceita o resultado das eleições. É preciso estar atento, impedir que esse tipo de movimento nos tire a paz, agrida a ordem e ameace a democracia. Excessos devem ser punidos.

Liberdade de expressão exige responsabilidade de expressão.

Ricardo Viveiros, jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.