Companhia sul-mato-grossense soma milhares de espectadores com o espetáculo “Rompendo Silêncios” e reafirma sua importância na formação artística, humana e social de gerações
A Ginga Cia de Dança completa quatro décadas de trajetória neste mês de maio consolidada como uma das maiores referências da dança contemporânea em Mato Grosso do Sul e no Brasil. Reconhecida pela criação de obras que unem pesquisa estética, engajamento social e formação de público, a companhia comemorou os 40 anos nos palcos com apresentações do espetáculo “Rompendo Silêncios”, que já impactou mais de seis mil espectadores.
Ao longo desses anos, inúmeros bailarinos e bailarinas passaram pela companhia, levando para a vida aprendizados que ultrapassam o universo artístico. Atual integrante da Ginga, Paulo Oliveira relembra que iniciou sua trajetória em 2004, por meio do Projeto Dançar, realizado em parceria com a Prefeitura e voltado a crianças de escolas públicas.

“Foi ali que tive meu primeiro contato com a dança e com uma perspectiva de mundo que ampliou completamente meus horizontes. A Ginga não foi só um espaço de formação artística, mas também de formação humana”, afirma.
Segundo Paulo, valores como compromisso, coletividade, escuta e rigor artístico seguem presentes em sua vida pessoal e profissional. Ele destaca ainda que os trabalhos desenvolvidos pela companhia sempre buscaram provocar reflexões sociais profundas.

“Existe sempre uma urgência, uma necessidade de dizer algo. Esse posicionamento provoca tanto quem está em cena quanto quem está na plateia. Espetáculos como ‘Rompendo Silêncios’ são fundamentais porque trazem à tona questões que muitas vezes são invisibilizadas”, comenta.
A obra “Rompendo Silêncios” investiga as estruturas invisíveis que atravessam as relações humanas, tensionando narrativas sobre poder, gênero e identidade. Inspirado no espetáculo “Silêncio Branco”, de 2022, o trabalho amplia o debate sobre a violência para além das formas mais evidentes, propondo um olhar sensível sobre os silenciamentos presentes no cotidiano.

Ex-bailarina da companhia e atualmente empresária na área de design, Paula Bueno destaca o impacto emocional da obra no público. “Eu vi mulheres ao meu lado falando sobre suas dores. Os espetáculos abordam o mesmo tema sob perspectivas diferentes e acredito que o maior impacto esteja justamente nessa possibilidade de identificação. É um espetáculo precioso, que precisa alcançar cada vez mais pessoas”, ressalta.
A circulação do espetáculo por Campo Grande (MS), Dourados e Ponta Porã foi viabilizada por recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizados pela Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

As memórias construídas dentro da Ginga atravessam gerações. Paula lembra que ainda criança já sonhava em integrar a companhia. “Eu encontrei na Ginga a dança que fazia sentido para mim. Entrei oficialmente na companhia aos 17 anos e participei do espetáculo ‘Corpo Latino’, que abordava temas extremamente atuais já naquela época”, relembra.
Ela destaca ainda que a convivência artística abriu caminhos também para outras áreas da vida. “Escrita criativa, fotografia, vídeo, edição e design passaram a fazer parte da minha trajetória. Hoje sou designer e empreendedora por conta da Ginga”, conta.

Fundadora do Instituto Moinho Cultural Sul-Americano, de Corumbá, Márcia Rolon também guarda lembranças marcantes da companhia. Em um momento delicado da vida pessoal, encontrou acolhimento na dança e no diretor Chico Neller.
“O Chico me acolheu, me incluiu no grupo e me trouxe de volta o respiro e o amor”, recorda.
Filha da consagrada bailarina Sônia Rolon, Márcia afirma que a experiência na Ginga foi decisiva para sua formação profissional. “A companhia me apresentou o palco profissional, me permitiu ser intérprete-criadora, coreografar, escrever projetos e me colocou no palco do maior festival de dança do mundo”, destaca.

Responsável por conduzir a companhia durante essas quatro décadas, Chico Neller acredita no poder transformador da arte, especialmente no campo da percepção humana.
“A dança tem a capacidade de acessar camadas que não são apenas racionais, e isso pode gerar deslocamentos importantes. Talvez ela não mude imediatamente um comportamento, mas planta questões, provoca reflexões e cria fissuras necessárias para transformações maiores”, pondera.

Mantendo viva sua vocação de inovação artística, a Ginga Cia de Dança já iniciou o processo criativo de seu novo espetáculo, “Corpo Território”. A obra irá investigar as relações entre corpo, identidade e pertencimento, refletindo sobre a cultura e a produção artística sul-mato-grossense, reafirmando o compromisso da companhia com a criação contemporânea e a valorização do território como espaço de memória e expressão.

… Bom dia! “A vida me ensinou que chorar alivia, mas sorrir torna tudo mais bonito”.
… Abraço aos aniversariantes de hoje: Felipe Brum, Alex Fraga, Lourdinha Jallad, Eduardo Spipe Calarge, Ana Rita Malheiros, Aurora de Fatima Bueno, Renata Jorge Brand, Paulo Costa, Viviane Santos, Ineu Oliveira, Keith Rocha, Fabiane Sato, Alexandre Fialho Braga, Isabelle Bittencourt, Juliana Bontorim, Fatima Vanusa Barbosa, Maria Nilza Barbosa, Ricardo Campos, Amauri Sorentini, Leandro Lagranha, Luana Santos, Hudson Verão, Luciana Soares, Angelo Fabio Carmona, Luciana Soares Doria e Ana Calvi. Happy birthday!



